2. Causos do Ciclo do Ouro

Os causos aqui narrados remetem à ascendência de Aristodema de Araújo Macedo, quem os ouviu e os transmitiu a seu filho José Sebastião Penido, meu pai.

As narrativas de Aristodema estão centradas em São Gonçalo do Sapucaí-MG, onde viveu sua juventude e onde também os antepassados de 4 gerações anteriores. A fazenda é lugar-comum nas contações, com proprietários abastados.

Não é possível saber se os acontecimentos se deram em fazendas ou uma única fazenda que permaneceu na família no suceder das gerações...  

Também não se sabe dizer qual dentre os nossos antepassados, teria sido o personagem destas histórias, pois que seu nome não ficou retido nas memórias de meu pai. Pode ter sido Paulo José de Araújo (proprietário de lavra de ouro em Santo Antônio da Casa Branca, Ouro Preto), Antônio Joaquim de Araújo Macedo ou José Francisco de Araújo (migrou para São Gonçalo do Sapucaí, onde adquiriu fazenda para dar sequência à mineração de ouro). Seja qual for, será aqui chamado Sr. Araújo. 


Dotes em ouro

Aqui se tem um panorama do quanto o ouro em Minas Gerais foi farto: o dote de casamento dos filhos do Sr. Araújo foi um pote de cerca de 20 cm de altura, contendo ouro em pó de sua própria lavra.


Altas apostas

As muitas posses do Sr. Araújo se esvaíram na medida em que se endividou em jogos de cartas. Chegou a apostar os escravos. Cada apostado e perdido, ao deixar a fazenda, se despedia do dono sempre engolfado no maldito jogo de cartas. Passava por ele e, tirando o chapéu, dizia "Sunscristo, Sinhô" (Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo"). O Sr. Araújo respondia "Para sempre seja louvado!", sem deixar o jogo.

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