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Introdução

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Nestas páginas temos a honra de relatar os causos da família Araújo Macedo, até aqui em tradição oral, "colecionadas" por José Sebastião Penido, hoje nonagenário, com excelente memória, porém ciente de estar "de saída". Trata-se de um tesouro, o legado das gerações que nos antecederam, e que temos o dever de transmitir às futuras.    Quase tudo se situa na vigência da monarquia, na mineira São Gonçalo do Sapucahy, onde nossos ancestrais vieram residir no exaurir do Ciclo do Ouro, entre a cidade e as grandes fazendas do período. Como personagens, nossos ancestrais diretos, mas também de quem era próximo à família ou, de algum modo, assinalou sua existência na localidade. Assim, sugere-se ao leitor considerar o contexto diferenciado dessa gente que vivia sob a égide  do Imperador, arrimada no labor do escravo africano, porém à margem da nobreza (localmente representada pelo Barão do Rio Verde, o Sr. João Antônio de Lemos). Uma gente de costumes, regras sociais e valor...

2. Causos do Ciclo do Ouro

Os causos aqui narrados remetem à ascendência de Aristodema de Araújo Macedo, quem os ouviu e os transmitiu a seu filho José Sebastião Penido, meu pai. As narrativas de Aristodema estão centradas em São Gonçalo do Sapucaí-MG, onde viveu sua juventude e onde também os antepassados de 4 gerações anteriores. A fazenda é lugar-comum nas contações, com proprietários abastados. Não é possível saber se os acontecimentos se deram em fazendas ou uma única fazenda que permaneceu na família no suceder das gerações...   Também não se sabe dizer qual dentre os nossos antepassados, teria sido o personagem destas histórias, pois que seu nome não ficou retido nas memórias de meu pai. Pode ter sido Paulo José de Araújo (proprietário de lavra de ouro em Santo Antônio da Casa Branca, Ouro Preto), Antônio Joaquim de Araújo Macedo ou José Francisco de Araújo (migrou para São Gonçalo do Sapucaí, onde adquiriu fazenda para dar sequência à mineração de ouro). Seja qual for, será aqui chamado Sr. Araú...

1. O casal José Francisco e Angelina

Minha árvore genealógica assinala a formação da família Araújo Macedo na primeira metade do XIX, no ano 1828, quando se casaram os meus tetravós  José Francisco de Araújo  e  Angelina Damiana de Abreu Macedo . Deste casamento nasceram 7 filhos:  Antônio Joaquim de Araújo Macedo (1828) Maria José de Araújo (1830-1906) Emerenciana Joaquina de Araújo Luzia "Zinha" de Araújo (1837) Estevão de Araújo Maria de Araújo (1839) José Francisco de Araújo Macedo (1841 - ~1903) Adiante, dispõe-se narrativas acerca dos progenitores e seus filhos, o primogênito (Antônio Joaquim) e  o caçula (José Francisco).  Nota: Em minha árvore genealógica, verifica-se o sobrenome Araújo Macedo iniciado em Antônio Joaquim ( o primogênito), registrado em 3 gerações, em sua filha Emília e na neta Aristodema. Esta, por sua vez, acolheu o sobrenome "Penido", transmitindo-o aos filhos (este sobrenome foi registrado em 5 gerações como "Nogueira Penido", mas foi simplificado por escolha pesso...

1.1. O casal Antônio Joaquim e Graciana

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Conforme já dito, minha árvore genealógica registrou o sobrenome "Araújo Macedo" na primeira metade do XIX, no ano 1828, com o nascimento de Antônio Joaquim de Araújo Macedo , meu trisavô, filho de   José Francisco e Angelina .  Antônio Joaquim foi o primogênito dentre 7 irmãos e era jovem e solteiro quando um fato alterou a rotina na fazenda onde residia: noticiou-se que uma tia sua, por parte de pai, estava sendo maltratada pelo marido Vilarinhos, em uma outra cidade. A situação era ainda mais agrave por residirem com estes, as filhas  Graciana e Luiza Angelina .  José Francisco, o pai, se abalou até o local para recuperar a irmã, tranzendo com ela as filhas, que passaram a ser criadas na fazenda dele próprio. O fato de Graciana ser muito bonita preocupava à anfitriã Angelina, pois ambiciosava um bom casamento para o filho primogênito. Buscou então ofuscar o brilho dela dando-lhe roupas mais simples e encarregando-a de serviços rudes. Houve um dia e...

1.3. A Odisséia da Vovó Aristodema

Vovó Todda tinha um tio materno muito respeitado em São Gonçalo do Sapucaí e no seio de sua família Araújo Macedo. O Dr. José Francisco de Araújo Macedo , nosso "Tio Macedo". Foi ele que sugeriu o nome justamente dela, Aristodema e seu irmão Aristoclides.  Esse nome estapafúrdio garantiu muitos apelidos a minha avó. Era chamada de "Aristódima" por sua mãe, de "Toddica" por seu pai, "Toddy" por seu irmão Jésus, surdo-mudo. E "Todda" para todos os demais. Ela grafava o nome com duas letras "d", explicando aos filhos que era para diferenciar de um passarinho de nome "Tóda", existente em Portugal... Ter um nome tão diferente, podia ser um fardo. Certa feita, seu filho caçula a viu se despedindo de uma mulher pobre, a quem havia atendido na porta de casa. Essa pobre perguntou "Como é o nome da senhora, mesmo?", ao que ouviu, prontamente "Maria, meu nome é Maria". Assim que a pobre foi embora, o caçula ...

1.2. Tia Zezé

Via de regra, pelos costumes vigentes no Sul de Minas Gerais, os pais tinham muita preocupação em conseguir um bom casamento para a filha. pois na época pouquíssimas mulheres estudavam, muitas eram analfabetas, de modo que seu arrimo seria o marido. O causo a seguir decorre deste costume. Maria José de Araújo Macedo Nascida em aproximadamente 1851, Maria José de Araújo Macedo ("Tia Zezé") foi a filha primogênita de Antônio Joaquim de Araújo Macedo com Graciana de Araújo Macedo (ver conto 1.1) e neta de José Francisco com Angelina (ver conto 1). A jovem Zezé nada sabia de relação conjugal quando lhe comunicaram haver sido prometida em casamento. Tampouco conhecia o tal Adolfo, seu futuro marido.  No dia do casamento, enquanto estava sendo preparada para a cerimônia, sua mãe avisou que o noivo se encontrava na sala da casa, local oportuno para uma espiadela estratégica, antecipando a primeira visão do homem com o qual ela estava prestes a coabitar. Da fresta onde se postou, Zez...