Introdução
Nestas páginas temos a honra de relatar os causos da família Araújo Macedo, até aqui em tradição oral, "colecionadas" por José Sebastião Penido, hoje nonagenário, com excelente memória, porém ciente de estar "de saída". Trata-se de um tesouro, o legado das gerações que nos antecederam, e que temos o dever de transmitir às futuras.
Quase tudo se situa na vigência da monarquia, na mineira São Gonçalo do Sapucahy, onde nossos ancestrais vieram residir no exaurir do Ciclo do Ouro, entre a cidade e as grandes fazendas do período. Como personagens, nossos ancestrais diretos, mas também de quem era próximo à família ou, de algum modo, assinalou sua existência na localidade.
Assim, sugere-se ao leitor considerar o contexto diferenciado dessa gente que vivia sob a égide do Imperador, arrimada no labor do escravo africano, porém à margem da nobreza (localmente representada pelo Barão do Rio Verde, o Sr. João Antônio de Lemos). Uma gente de costumes, regras sociais e valores endêmicos, apenas comunicável por cartas e informes de viajantes à guisa de muares (hordas de jumentos carregados de víveres).
Na distância do tecnológico e ultra-moderno Século XXI, há linhas que podem trazer algum desconforto, pelo que já nos adiantamos em pedir desculpas, porém assinalando primar pela transmissão das memórias na forma como nos foram relatadas e mantidas em nossa família. Em última análise, são fatos que permeiam a rica história de nosso país, construída no cotidiano de nossos antepassados.
Boa leitura!
José Sebastião Penido, Luciano Rodrigues Penido

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